Cardiovascular · 2004

Uma comparação entre vasopressina e epinefrina na reanimação cardiopulmonar extra-hospitalar

Uma comparação entre vasopressina e epinefrina na reanimação cardiopulmonar extra-hospitalar

Wenzel V, Krismer AC, Arntz HR, Sitter H, Stadlbauer KH, Lindner KH

New England Journal of Medicine

DOI: 10.1056/NEJMoa025431 PubMed: 14711909

Resumo

Este grande ensaio clínico multinacional do European Resuscitation Council, liderado por Volker Wenzel na Universidade de Innsbruck, foi um dos estudos definitivos sobre o uso de vasopressina (argipressina) na ressuscitação cardiopulmonar (RCP) extra-hospitalar. O contexto era a busca por alternativas à epinefrina, vasopressor padrão na RCP que apresenta efeitos cardíacos potencialmente deletérios (taquicardia, isquemia miocárdica, arritmias pós-ressuscitação).

O estudo randomizou 1186 pacientes adultos com parada cardíaca extra-hospitalar para receber injeções repetidas de vasopressina 40 UI ou epinefrina 1 mg durante a RCP. Os endpoints primários foram retorno de circulação espontânea e sobrevida até a alta hospitalar.

Nos pacientes com fibrilação ventricular, não houve diferenças significativas entre os grupos. Entretanto, no subgrupo com assistolia (ritmo de pior prognóstico), a vasopressina foi superior: maior taxa de sobrevida até a admissão hospitalar (29,0% vs 20,3%, p = 0,02) e maior sobrevida até a alta hospitalar (4,7% vs 1,5%, p = 0,04). Ainda mais notável, em pacientes que não respondiam à droga inicial, a sequência vasopressina seguida de epinefrina foi superior à epinefrina isolada (sobrevida 25,7% vs 16,4%, p = 0,002).

Este trabalho consolidou a vasopressina como opção terapêutica viável em parada cardíaca, particularmente em assistolia e como terapia de resgate após falha da epinefrina. Embora diretrizes posteriores (ILCOR 2015, AHA 2020) tenham simplificado os protocolos com foco apenas em epinefrina, o estudo de Wenzel mantém valor histórico ao demonstrar que a fisiologia da vasopressão arterial não depende exclusivamente das catecolaminas, abrindo caminho para terapias combinadas usadas hoje em UTI (vasopressina + noradrenalina em choque vasodilatador).

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Hormônio antidiurético (ADH) cíclico com ponte dissulfeto. Produzido no hipotálamo e liberado pela neuro-hipófise. Regula a reabsorção de água nos rins, vasoconstrição e homeostase dos fluidos corporais.