Recuperação e Cicatrização · 2025

Uso emergente do BPC-157 em medicina esportiva ortopédica: revisão sistemática

Uso emergente do BPC-157 em medicina esportiva ortopédica: revisão sistemática

Vasireddi N, Hahamyan H, Salata MJ, Karns M, Calcei JG, Voos JE, Apostolakos JM

HSS J

DOI: 10.1177/15563316251355551 PubMed: 40756949

Resumo

Esta revisão sistemática conduzida pelo grupo da Case Western Reserve University avaliou criticamente o estado da evidência sobre o BPC-157 (Body Protection Compound-157) em medicina esportiva ortopédica, contexto em que o peptídeo tem ganho popularidade entre atletas, apesar da ausência de aprovação regulatória. Foram analisados 36 estudos publicados entre 1993 e 2024, dos quais 35 eram pré-clínicos e apenas 1 era clínico (retrospectivo, em humanos).

Os mecanismos identificados como base para os efeitos terapêuticos do BPC-157 incluem:

  • Ativação da via VEGFR2 e síntese de óxido nítrico via Akt-eNOS, promovendo angiogênese
  • Sinalização ERK1/2, facilitando proliferação celular e reparo endotelial
  • Aumento da expressão do receptor de hormônio do crescimento em fibroblastos
  • Redução de citocinas inflamatórias e modulação da resposta de cicatrização
  • Estabilização neuromuscular e proteção contra desmielinização

Em modelos pré-clínicos, o BPC-157 demonstrou efeitos benéficos em lesões de músculo, tendão, ligamento e osso, com aceleração da cicatrização e melhor organização do tecido reparado. Um único estudo clínico retrospectivo em humanos (n=12 com dor crônica de joelho) reportou alívio sustentado por >6 meses após injeção, mas com limitações metodológicas significativas. A meia-vida plasmática do BPC-157 é menor que 30 minutos, com metabolismo hepático e perfil de segurança aparentemente benigno nos modelos animais.

Os autores concluíram que, apesar da base pré-clínica robusta, "nenhum dado clínico de segurança em humanos foi encontrado" e o BPC-157 deve ser considerado investigacional. A revisão alerta para o uso fora de ensaios clínicos e enfatiza a necessidade de ensaios randomizados em humanos antes da incorporação à prática médica. O artigo também recorda que o BPC-157 é classificado pela WADA como substância proibida (S0), exigindo cuidado com atletas competitivos.

Peptídeo Relacionado

BPC-157

Body Protection Compound-157, Pentadecapeptídeo gástrico

Pentadecapeptídeo sintético derivado de uma proteína protetora gástrica humana (BPC). Composto por 15 aminoácidos com sequência GEPPPGKPADDAGLV, possui peso molecular de 1.419,53 Da. Estável em suco gástrico e não requer carreador para atividade biológica.