Especializado · 1981

Composição de aminoácidos e sequência da dermorfina, um novo peptídeo opioide-símile da pele de Phyllomedusa sauvagei

Composição de aminoácidos e sequência da dermorfina, um novo peptídeo opioide-símile da pele de Phyllomedusa sauvagei

Montecucchi PC, de Castiglione R, Piani S, Gozzini L, Erspamer V

International Journal of Peptide and Protein Research

DOI: 10.1111/j.1399-3011.1981.tb01993.x PubMed: 7287299

Resumo

Este estudo, publicado por Pietro Montecucchi e o lendário farmacologista italiano Vittorio Erspamer, marcou a descoberta e caracterização estrutural da dermorfina — um dos peptídeos opioides mais potentes já isolados de uma fonte natural. O trabalho foi realizado a partir de extratos metanólicos da pele do sapo amazônico Phyllomedusa sauvagei, dentro do programa de Erspamer que rastreou sistematicamente as secreções cutâneas de anfíbios sul-americanos por compostos bioativos.

Os autores estabeleceram que a dermorfina é um heptapeptídeo com a sequência H-Tyr-D-Ala-Phe-Gly-Tyr-Pro-Ser-NH₂. A descoberta mais inesperada foi a presença de D-alanina na posição 2 — uma característica estrutural extremamente rara em peptídeos de vertebrados, já que ribossomos sintetizam exclusivamente proteínas a partir de L-aminoácidos. Essa D-alanina é gerada por uma isomerase pós-traducional específica e é responsável pela resistência da dermorfina a degradação enzimática.

Os experimentos farmacológicos preliminares mostraram que a dermorfina possui ações opioides centrais e periféricas excepcionalmente intensas e duradouras, com potência analgésica superior à das encefalinas conhecidas, da β-endorfina e da própria morfina. O peptídeo se ligava com alta afinidade e seletividade aos receptores μ-opioides, em contraste com as encefalinas (predominantemente delta).

Este trabalho foi historicamente fundamental por (1) revolucionar a concepção da bioquímica dos vertebrados, ao demonstrar que peptídeos com D-aminoácidos existem na natureza animal, e (2) inaugurar uma nova classe de opioides peptídicos (dermorfinas e deltorfinas), com aplicações em pesquisa de dor, neurociência e desenvolvimento farmacêutico. O nome "dermorfina" foi cunhado pelos autores combinando derm- (pele) e -morfina (morfo + opioide).

Peptídeo Relacionado

Dermorphin

Dermorfina, Dermorpin

Heptapeptídeo opioide natural isolado da pele de rãs do gênero Phyllomedusa, com peso molecular de aproximadamente 803,88 Da. Contém o aminoácido não-padrão D-alanina na posição 2, conferindo excepcional potência e seletividade para o receptor mu-opioide. Considerado um dos analgésicos peptídicos mais potentes conhecidos, com atividade 30-40 vezes superior à morfina.