Um tripeptídeo sintético que aumenta a sobrevivência de células hepáticas normais e estimula o crescimento em células de hepatoma
Um tripeptídeo sintético que aumenta a sobrevivência de células hepáticas normais e estimula o crescimento em células de hepatoma
Pickart L, Thayer L, Thaler MM
Biochemical and Biophysical Research Communications
Resumo
Artigo fundador de Loren Pickart — pesquisador que descobriu o tripeptídeo GHK (glicil-histidil-lisina) no plasma humano em 1973 e dedicou as cinco décadas seguintes a caracterizá-lo. Este trabalho específico, publicado em BBRC, descreve a síntese química do GHK e a confirmação de sua atividade biológica em sistemas celulares hepáticos — paralelo a uma publicação simultânea em Nature New Biology que descreveu a atividade da forma isolada do plasma.
O contexto biológico é histórico: Pickart, então pós-doutorando na UCSF com Thaler, observou que o plasma de doadores jovens, quando aplicado a tecido hepático envelhecido em cultura, restaurava a capacidade desse tecido de produzir proteínas características de tecido jovem. Após fracionamento bioquímico extensivo, ele isolou um tripeptídeo pequeno responsável pela atividade, com sequência Gly-His-Lys (GHK). A síntese química do peptídeo confirmou a estrutura proposta e a equivalência funcional com o composto endógeno.
Os ensaios biológicos mostraram que o GHK sintético em concentração nanomolar aumentou a sobrevida de hepatócitos normais isolados de fígado de rato regenerante e estimulou o crescimento de uma linhagem de células de hepatoma cultivadas. O tripeptídeo também estimulou a incorporação de uridina e timidina marcadas em material precipitável por TCA, indicando ativação de síntese de RNA e DNA. Estes achados estabeleceram o GHK como um fator de crescimento celular pequeno e definido, abrindo uma nova classe de moléculas bioativas peptídicas.
Décadas após este trabalho, o GHK seria reconhecido como forma como GHK-Cu (complexado com cobre), com efeitos sobre cicatrização, síntese de colágeno e elastina, e regulação de expressão gênica. A variante palmitoil-GHK (Pal-GHK, palmitoyl tripeptide-1) foi desenvolvida posteriormente pela Sederma como ingrediente cosmético para estimular síntese de matriz dérmica via penetração lipofílica através do estrato córneo. Este artigo de 1973 é a base científica histórica obrigatória para qualquer trabalho subsequente sobre GHK, GHK-Cu ou Pal-GHK — e por extensão, para boa parte da pesquisa moderna em peptídeos cosméticos.
Peptídeo Relacionado
Pal-GHK
Palmitoyl Tripeptide-1, Palmitoil-GHK
Forma lipofílica do tripeptídeo GHK conjugado com ácido palmítico para melhor penetração cutânea. Estimula a síntese de colágeno e elastina na derme, com propriedades reparadoras e anti-envelhecimento.