GLP-1 e Agonistas de Incretina · 2025

Tirzepatida na insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada e obesidade

Tirzepatida na insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada e obesidade

Packer M, Zile MR, Kramer CM, Baum SJ, Litwin SE, Menon V, Ge J, Weerakkody GJ, Ou Y, Bunck MC, Hurt KC, Murakami M, Borlaug BA, et al.

N Engl J Med

DOI: 10.1056/NEJMoa2410027 PubMed: 39555826

Resumo

O ensaio SUMMIT foi um estudo internacional, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo que avaliou se a tirzepatida poderia melhorar desfechos clínicos em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF) e obesidade — uma população de altíssimo risco e com poucas opções terapêuticas eficazes. Foram randomizados 731 pacientes com IMC >=30 kg/m² e ICFEP (FE >=50%) para tirzepatida (dose máxima 15 mg semanais) ou placebo, com seguimento mediano de 104 semanas (2 anos).

O duplo desfecho primário incluiu (1) morte cardiovascular adjudicada ou evento de piora da insuficiência cardíaca; e (2) variação no escore KCCQ-CSS (qualidade de vida) em 52 semanas. Os resultados foram positivos para ambos:

  • Desfecho composto cardiovascular: 9,9% com tirzepatida vs. 15,3% com placebo (HR 0,62; IC 95% 0,41-0,95; P=0,026)
  • Escore KCCQ-CSS: melhora de +19,5 pontos com tirzepatida vs. +12,7 com placebo (diferença de 6,9; P<0,001)
  • Distância em teste de caminhada de 6 minutos: aumento de 18,3 m vs. -2,5 m com placebo
  • Perda de peso: 13,9% com tirzepatida vs. 2,2% com placebo

Análises secundárias relevantes incluíram redução em proteína C-reativa de alta sensibilidade (hsCRP) e NT-proBNP, sugerindo melhora tanto na inflamação sistêmica quanto na sobrecarga circulatória. Substudos de imagem demonstraram redução da massa do ventrículo esquerdo e do tecido adiposo paracardíaco.

O SUMMIT consolidou a tirzepatida como opção terapêutica para HFpEF associada à obesidade — um fenótipo crescentemente reconhecido como entidade clínica distinta. Combinado com os resultados do programa STEP-HFpEF da semaglutida, esses dados estabelecem os agonistas de GLP-1/GIP como nova classe terapêutica para HFpEF, área historicamente refratária a intervenções farmacológicas.

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